O cliente chega dizendo que “a bateria não segura mais” e quer saber se vale trocar. Antes de orçar peça, você precisa de um número — e ele já está gravado no chip que mora dentro do próprio pacote. O BatteryInfoView lê esse número em trinta segundos, sem instalar nada na máquina do cliente. Aqui estão o link oficial, a versão conferida em 25 de setembro de 2026, os arquivos com tamanho e SHA-256, e — principalmente — o que esse número não prova.

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O que o BatteryInfoView resolve em trinta segundos

É um utilitário minúsculo da NirSoft, de Nir Sofer, com direitos de 2011 a 2026. Abre numa janela só e mostra o que o pacote declara sobre si mesmo: nome, fabricante, número de série, data de fabricação, estado, capacidade atual, capacidade de carga total, capacidade de projeto, tensão, taxa de carga ou descarga, química e contagem de ciclos.

Tem ainda uma segunda tela, o registro: a cada 30 segundos ele acrescenta uma linha com o estado da bateria, e grava uma linha também quando a máquina suspende e quando acorda — é assim que se descobre que o notebook perde carga dormindo a noite inteira.

E vale deixar o limite claro logo: o programa não mede nada. Ele não encosta ponta de prova em lugar nenhum — pergunta ao Windows, que pergunta ao chip dentro do pacote. Guarde a frase, porque ela volta adiante.

Download oficial e como conferir o arquivo

Página oficial, e mais nenhuma: nirsoft.net/utils/battery_information_view.html. Utilitário da NirSoft está entre os mais rehospedados da internet, quase sempre com brinde no instalador. A versão atual é a 1.27, de 14 de março de 2026 — data que bate com o carimbo dos dois pacotes no servidor oficial, conferido hoje.

Pacote Arquivo Tamanho SHA-256 (conferido por nós)
64 bits batteryinfoview-x64.zip 132.819 bytes a01a2dfa…5246f
32 bits batteryinfoview.zip 118.909 bytes be98ee43…38af7

Dentro de cada zip vêm três arquivos: o executável (115.200 bytes na versão de 64 bits, 80.384 na de 32), a ajuda BatteryInfoView.chm e o readme.txt. Não há instalador nem DLL — a própria página oficial diz que basta rodar o executável. Para bancada é o formato ideal: vive no pendrive e não deixa rastro.

Um detalhe que conferimos aqui e que muda o método: os executáveis do BatteryInfoView não são assinados digitalmente — abrimos os dois binários e a tabela de certificados está vazia nos dois. Com o HWiNFO e o CrystalDiskInfo a receita era olhar a aba Assinaturas Digitais. Aqui não há assinatura para olhar: a conferência possível é o SHA-256 acima — e é isso que explica o problema número 1 lá embaixo.

Página oficial do BatteryInfoView no site da NirSoft mostrando a versão 1.27 e o histórico de versões
A página oficial da NirSoft capturada por nós em 25/09/2026: a versão 1.27, o aviso de que série e data de fabricação só aparecem se a bateria informar, e o histórico de versões que documenta cada campo. Captura nossa.

Instalação e primeiro uso

  1. Baixe o zip de 64 bits e extraia numa pasta. Essa versão só existe a partir da 1.26; a de 32 bits segue publicada para máquinas antigas.
  2. Rode o BatteryInfoView.exe. A janela já abre preenchida com a bateria da máquina.
  3. F7 mostra as informações; F8 alterna para o registro. Os dados são atualizados a cada 10 segundos, e quatro campos calculados só a cada 30 segundos ou mais. F9 abre as opções avançadas, onde se mudam esses intervalos.
  4. Ctrl+S salva a seleção. Sem abrir a janela, a linha de comando resolve: BatteryInfoView.exe /shtml relatorio.html (há ainda /stext, /scomma, /stab e /sxml).

Em português? A própria página lista uma tradução brasileira, feita pelo SoftDownload. Baixamos e abrimos: o arquivo é de junho de 2012 e declara, na primeira linha, que foi feito para a versão 1.15 — doze versões atrás. Os menus antigos saem em português, mas tudo o que entrou depois, inclusive a mudança de “Battery Wear Level” para “Battery Health” na 1.23, continua em inglês.

Em Linux não existe BatteryInfoView: o equivalente é o upower -i /org/freedesktop/UPower/devices/battery_BAT0, com os mesmos campos de projeto, carga total e porcentagem.

Os três números que decidem o orçamento

Ignore a maior parte da tela. São três campos que interessam:

A unidade padrão é mWh, miliwatt-hora. Desde a 1.22 dá para exibir em mAh, mas só quando a tensão da bateria está disponível — e, para comparar com a etiqueta, o mWh é mais direto.

Etiqueta de um pacote de bateria de notebook Samsung mostrando 11,1 volts e 48 Wh, equivalentes a 4400 mAh
A capacidade de projeto está impressa no pacote: “DC 11.1V — 48Wh (4400mAh)”. Esses 48 Wh são os 48.000 mWh que o BatteryInfoView deve mostrar em Designed Capacity; se mostrar bem menos, desconfie do pacote antes de desconfiar do programa. Foto: Raimond Spekking, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Na nossa bancada a leitura prática é esta — opinião de quem orça serviço, não norma: acima de 80% a bateria ainda serve; entre 70% e 80% avise que o fim está perto; abaixo de 70% a troca se paga em autonomia. O que não dá é orçar bateria nova com o pacote em 95%: aí o problema é consumo, e quem responde é o monitor de temperatura e de processos.

Não vendemos peça de informática — a análise acima é isenta. Para o que vem depois da leitura, quando é preciso abrir a máquina e medir o pacote de verdade, os dois itens que ficam na bancada:

Como Associados da Amazon, recebemos por compras qualificadas feitas pelos links acima — você não paga nada a mais por isso, e ajuda o site a continuar gratuito.

A parte que ninguém conta: o número não é medido, é declarado

Aqui está a diferença entre usar a ferramenta e acreditar nela. Tudo o que o BatteryInfoView mostra vem de uma estrutura do Windows chamada BATTERY_INFORMATION, preenchida pelo driver com o que o chip da bateria responde — e a documentação da Microsoft é honesta sobre o que aqueles campos são. A capacidade de projeto é descrita como “a capacidade teórica da bateria quando nova”; sobre a capacidade de carga total, a instrução é comparar com a de projeto “para estimar o desgaste da bateria”. Estimar. Não medir.

Tem mais, e é o detalhe que explica o notebook que desliga com “carga sobrando”: a mesma estrutura tem um campo CriticalBias, uma reserva descontada dos valores informados, que a Microsoft descreve como “análogo a ajustar um medidor de combustível para mostrar vazio quando ainda há vários litros no tanque”. O zero que o Windows mostra não é o zero da bateria. E há um caso em que os números nem estão em mWh: com o bit BATTERY_CAPACITY_RELATIVE ligado, a documentação avisa que as capacidades são relativas e “as unidades são indefinidas” — raro em notebook, comum em nobreak e em bateria genérica.

Traduzindo para a bancada: saúde de 92% não é laudo, é a opinião do chip da bateria. Serve para orçar, não para fechar diagnóstico. Quando o número e a queixa do cliente não combinam, cruze com o histórico, que o próprio Windows gera com powercfg /batteryreport, e com a medida física — multímetro nos terminais do pacote, a única leitura que não depende de ninguém declarar nada.

Os cinco problemas mais comuns

1. O zip baixou, mas não tem o .exe dentro. O antivírus comeu. A FAQ oficial da NirSoft trata disso em três perguntas: os utilitários são detectados como falso positivo, o executável é removido do zip, e quando não é removido aparece o erro “não é um aplicativo Win32 válido”. A recomendação do autor é reportar o falso positivo ao fabricante do antivírus. Sem assinatura digital nos binários, o programa é alvo fácil de heurística — a defesa certa é comparar o SHA-256 do zip com o da tabela acima e liberar por exceção, nunca desligar o antivírus.

2. O campo de ciclos está vazio ou em zero. Não é defeito do programa, e nem sempre é da bateria. A documentação da Microsoft é literal: se a bateria não suporta o contador de ciclos, o campo vale zero. É tão comum que o relatório oficial do Windows sai com um traço nesse lugar — uma pergunta no fórum da Microsoft de 25 de setembro de 2020 descreve isso: notebook com um ano de uso e contagem em branco. Em algumas marcas o número só aparece no diagnóstico do fabricante.

3. As capacidades aparecem com valores sem sentido. É o caso da capacidade relativa descrito acima: o driver informou valores sem unidade definida. A porcentagem de saúde continua valendo como proporção, mas não tente converter em Wh.

4. A janela ficou meio em português e meio em inglês. É a tradução de 2012 rodando num programa de 2026. Se atrapalhar, apague ou renomeie o BatteryInfoView_lng.ini e o programa volta ao inglês — a instrução é da própria página oficial.

5. O tempo estimado dança, ou a taxa fica em zero. Também é de projeto: os campos de tempo são calculados pela variação da capacidade nos últimos 30 segundos, então logo depois de abrir não há base para cálculo nenhum. E com o carregador ligado e a bateria cheia a taxa é zero mesmo. Para avaliar autonomia, tire da tomada, espere alguns minutos e só então leia.

Perguntas frequentes

Posso usar o BatteryInfoView na assistência técnica? A licença é de freeware e trata de distribuição: redistribuir pode, desde que sem cobrar, sem vender e sem embutir em produto comercial, mantendo o pacote completo. Não há, ao contrário do HWiNFO, cláusula exigindo licença paga para uso em ambiente comercial.

Funciona no Windows 11? Sim — a página oficial declara suporte de Windows 2000 a Windows 11, e a versão de 64 bits existe desde a 1.26.

A saúde mudou de um dia para o outro. O programa errou? Não necessariamente. A capacidade de carga total é um valor reportado pelo chip e reavaliado conforme a bateria é usada; o que não muda é a capacidade de projeto. Por isso vale a tendência ao longo de semanas, não a foto de um dia.

Dá para anexar o resultado à ordem de serviço? Dá: /shtml gera um relatório em HTML pronto para imprimir, com a saúde e a capacidade do dia do atendimento. Se o pendrive de ferramentas ainda não está montado, comece por ele.

O resumo que cabe na bancada

Um zip de 130 KB, baixado só do site do autor e conferido pelo SHA-256, responde em trinta segundos a pergunta que decide o orçamento: quanta capacidade essa bateria ainda tem contra o que ela valia nova. Saúde alta com cliente reclamando de autonomia é caso de consumo, não de bateria; saúde baixa com contagem de ciclos em branco continua sendo saúde baixa. O programa entrega a leitura; o laudo continua sendo seu.

No próximo guia a bancada muda de lado: o Candle, que comanda as CNC 3018 com firmware GRBL — instalação, driver e o primeiro corte sem quebrar broca.

Veja também

Se a pergunta seguinte for “a bateria está boa, e agora quem é o culpado na placa?”, o Mapa da Placa é o nosso material de leitura de placa — vale conhecer.