Notebook que trava do nada, tela azul com código diferente a cada vez, arquivo que corrompe sem motivo: antes de condenar o disco ou a placa, teste a memória. MemTest86 (da PassMark) e Memtest86+ (código aberto) fazem isso de um pendrive, sem Windows no meio. Aqui estão os links oficiais, as versões e somas de verificação conferidas por nós em 16 de outubro de 2026, o passo a passo por sistema e os erros que mais aparecem na bancada.
Dois programas, nomes quase iguais, projetos diferentes
Os dois descendem do MemTest-86 original de Chris Brady, mas se separaram há mais de dez anos. O MemTest86 (sem o “+”) pertence à PassMark Software, é fechado desde 2013 e tem edição gratuita e edições pagas. O Memtest86+ (com o “+”) é software livre, GPL v2, mantido por Sam Demeulemeester e Martin Whitaker; o site oficial avisa que “não é uma edição do MemTest86”. Vale ter os dois no pendrive, porque cada um cobre uma máquina que o outro não cobre.
| MemTest86 Free (PassMark) | Memtest86+ (código aberto) | |
|---|---|---|
| Versão atual | 11.7 Build 1000 | 9.00 |
| Data de lançamento | 04/05/2026 | 15/10/2026 (ontem, no fechamento deste guia) |
| Licença | Gratuita, “sem restrições de uso” segundo a página de licenças; Pro US$ 116, Site US$ 5.557 | GPL v2.0 |
| Boot | Só UEFI (x86, x86-64 e ARM64) | BIOS legado e UEFI (32 e 64 bits), ARM64, LoongArch |
| Secure Boot | Assinado pela Microsoft: dá boot sem mexer no BIOS | Assinado por CA própria do projeto: precisa cadastrar o certificado ou desligar o Secure Boot |
| Limites da versão gratuita | Máximo de 4 passagens; testes 11 e 12 (64 bits e SIMD) só na Pro; identificação do pente só na Pro | Sem limites |
| Macs Apple Silicon | Não | Não |
Download oficial e como conferir o arquivo
Regra de sempre: baixe do site do autor. Programa de teste de memória circula em dezenas de sites de “download grátis” com instalador modificado, e um pendrive de diagnóstico é a última coisa que você quer contaminada.
MemTest86 Free 11.7 (PassMark)
Página oficial: memtest86.com/download.htm. Baixamos o pacote e abrimos tudo:
| Arquivo | Tamanho | O que é |
|---|---|---|
| memtest86-usb.zip | 12.715.306 bytes; SHA-256 1c01e03a…35a4de |
O pacote completo |
| memtest86-usb.img | 1.073.741.824 bytes (1 GiB) | Imagem do pendrive, partição GPT com os três binários |
| EFI/BOOT/BOOTX64.efi | 1.631.784 bytes | O programa em si (há também BOOTIA32 e BOOTAA64) |
| imageUSB.exe | 1.883.680 bytes | Gravador do pendrive para Windows, assinado por “PassMark Software Pty Ltd” via Sectigo |
| MemTest86_User_Guide_UEFI.pdf | 111 páginas | O manual, incluindo o histórico de versões |
A PassMark não publica soma de verificação, então a nossa serve de referência de um download feito direto do site oficial. Os arquivos do zip trazem data de 03/05/2026, batendo com o lançamento da 11.7 em 4 de maio, registrado na página “What’s New”.

Se a máquina é antiga (só BIOS legado): a 11.7 não vai dar boot. A própria página manda para a versão 4.3.7, em ISO, imagem USB e até disquete. Ela não conhece DDR4 nem DDR5 direito, mas ainda testa memória. A alternativa melhor é o Memtest86+, que dá boot em BIOS legado com a versão atual.
Memtest86+ 9.00 (código aberto)
Página oficial: memtest.org. A 9.00 é, nas palavras do changelog, “o maior lançamento desde a reescrita da v6”: suporte a ARM64 (testado em Snapdragon X e Raspberry Pi 4 e 5), relatório salvo no próprio pendrive (só FAT32), testes redesenhados, testes vetoriais de 128 e 256 bits, um teste de estresse de barramento voltado a DDR5 e um teste de row hammer (teste 11, desligado por padrão).
| Arquivo | Tamanho | Para quê |
|---|---|---|
| mt86plus_9.00_USB_Installer.exe | 528.924 bytes | Grava o pendrive no Windows (32 e 64 bits) |
| mt86plus_9.00_x86_64.iso.zip | 311.796 bytes; dentro, memtest.iso de 6.256.640 bytes | ISO híbrida 64 bits: BIOS legado e UEFI no mesmo arquivo |
| mt86plus_9.00_i586.iso.zip | — | ISO 32 bits para máquinas muito antigas |
| mt86plus_9.00.binaries.zip | 383.461 bytes | Os quatro binários soltos (x86_64, i586, arm64, la64) para GRUB, PXE ou Ventoy |
Aqui a conferência é fácil, porque o projeto publica sha256sum.txt na mesma pasta. Baixamos três arquivos e os três bateram: o instalador Windows dá 2d955d63…575538b, a ISO 64 bits dá 55d378c0…c19702. Detalhe que importa: o instalador para Windows é um pacote NSIS sem assinatura digital, então o SmartScreen vai reclamar. Com o SHA-256 batendo, é seguro clicar em “Executar assim mesmo”.

E o apt do Linux?
Está sempre atrasado. Conferimos nos repositórios oficiais: Ubuntu 24.04 entrega o Memtest86+ 7.00, Ubuntu 25.04 e 25.10 o 7.20, Ubuntu 22.04 ainda o 5.31b; Debian 12 tem o 6.10, Debian 13 o 7.20 e só o sid chegou ao 8.10. O item “Memory test” do GRUB do Ubuntu roda uma versão de dois anos atrás; para a 9.00, pegue a ISO do site.
Instalação passo a passo
Windows (PassMark): descompacte o zip, espete um pendrive de 1 GB ou mais, abra o imageUSB.exe, escolha o pendrive na lista, marque “Write image to USB drive”, confirme que a imagem selecionada é a memtest86-usb.img e clique em “Write”. O readme avisa que a imagem é copiada bit a bit: um pendrive de 32 GB vai aparecer com 1 GB até você reparticionar.
Windows (Memtest86+): execute o mt86plus_9.00_USB_Installer.exe, escolha o pendrive e siga os passos. Se preferir um único pendrive com várias ferramentas, o Rufus grava a ISO e o Ventoy aceita o binário mt86p_900_x86_64 solto.
Linux e macOS (os dois programas): é dd direto no dispositivo, nunca na partição. O comando oficial da PassMark, que serve igual para a ISO do Memtest86+:
lsblk -p -o NAME,VENDOR,MODEL,SIZE,TYPE,SERIAL # descubra qual é o pendrive
sudo dd if=memtest86-usb.img of=/dev/sdX bs=1M conv=fsync status=progress
Troque /dev/sdX pelo pendrive e confira três vezes: o dd apaga o destino sem perguntar.
Boot: reinicie com o pendrive espetado e abra o menu de boot (Esc, F9, F11 ou F12 na maioria dos notebooks). O MemTest86 começa sozinho depois de uma contagem de 10 segundos na tela inicial, que também dá acesso à configuração; o Memtest86+ começa na hora, com F1 para configurar. Nos dois, Esc reinicia a máquina.

Não vendemos memória nem pendrive; a análise acima é isenta. Para montar o kit de teste e trocar o pente quando o veredito sair:
Como Associados da Amazon, recebemos por compras qualificadas feitas pelos links acima — você não paga nada a mais por isso, e ajuda o site a continuar gratuito.
Como ler o resultado
Os dois programas enchem a memória com um padrão, leem de volta e comparam. O manual da PassMark descreve o algoritmo principal, “moving inversions” (escreve o padrão, confere e grava o complemento, endereço por endereço, subindo e depois descendo), e o “Modulo-20”, feito para não ser enganado pelo cache do processador. Cada teste numerado combina algoritmo e padrão de dados; uma “passagem” é a sequência inteira.
O que decide o diagnóstico é a linha vermelha. Ela mostra o teste que falhou, o endereço, o valor esperado, o valor lido e os bits diferentes. A regra da documentação do Memtest86+ é a que vale para a bancada: poucos endereços falhando com um ou dois bits errados são erro real, e erro intermitente é sempre real. Um pente que falha uma vez em quatro passagens não é “quase bom”.

Repare na foto: o mesmo bit (0x00000400) falha em todos os testes. Isso é a assinatura de uma célula morta, e nenhuma reinstalação de Windows resolve. Já um erro que aparece em endereços espalhados, em bits diferentes, com o notebook aquecendo, pede olhar o regulador da memória, a solda do slot e o papel de cada memória da placa antes de trocar o pente.
Os cinco problemas mais comuns
1. O pendrive da PassMark não aparece no menu de boot, ou a máquina volta para o BIOS. Na maioria das vezes é máquina sem UEFI. A página de download da 11.7 é explícita: “em máquinas sem suporte a UEFI, o MemTest86 não vai dar boot”. Use a 4.3.7 ou o Memtest86+. Se a máquina tem UEFI e mesmo assim não lista o pendrive, procure a opção “CSM” ou “Legacy” no BIOS e confira se o boot UEFI está habilitado.
2. “Security Violation” ou tela preta com o Memtest86+. É o Secure Boot. Até a 8.10 os binários não eram assinados; na 9.00 passaram a ser, mas com a autoridade do próprio projeto (“Memtest86+ Secure Boot CA 2026”, válida até 2046, impressão digital publicada em memtest.org/download/mt86plus-ca.txt), que nenhum notebook traz de fábrica. Ou você cadastra esse certificado no “db” do firmware, ou desliga o Secure Boot para o teste e religa depois (em BIOS Dell recentes, conta o mantenedor no GitHub, a opção fica escondida em “Advanced Setup”). O MemTest86 da PassMark não tem esse problema: o BOOTX64.efi que abrimos está assinado como “Microsoft Windows UEFI Driver Publisher”.
3. Cursor piscando e nada acontece, ou trava em “Status: Init”. Dois casos reais no rastreador do projeto. Em placas AMD com BIOS beta (AGESA anterior à 1.3.0.0), o Memtest86+ 8.10 parava num traço no canto da tela; a correção entrou em 03/04/2026 e está na 9.00. Em um servidor com dois Xeon e 1,37 TB de RAM, a 8.10 trava em “Init” e o chamado segue aberto. Na bancada: tente a outra ISO (a com GRUB), atualize o BIOS e, em máquina com muitos núcleos, pressione F2 para testar com um só.
4. Erros só no teste 13 (hammer), ou só com os dois pentes juntos. A FAQ da PassMark trata dos dois. O teste de row hammer provoca vazamento de carga entre linhas vizinhas; desde a versão 6.2, se o erro aparece na primeira passada (ritmo máximo) e some na segunda (ritmo que os fabricantes consideram pior caso), sai um aviso em vez de uma falha. É um pente vulnerável, não necessariamente defeituoso. Já erros que só aparecem com os módulos juntos apontam para incompatibilidade em canal duplo: pentes de especificação diferente ou marca que a placa não gosta. Teste cada um sozinho.
5. O teste acusou erro, mas em qual pente? O endereço não diz. A FAQ explica que a controladora traduz o endereço em canal, pente, rank, chip, banco, linha e coluna, e que o esquema da Intel é proprietário. A Free não decodifica (a Pro tenta); o Memtest86+ tampouco. Fica o método que a própria PassMark recomenda: tirar um pente de cada vez, ou revezar os pentes entre os slots. Lembre que a Free para sozinha em 4 passagens, e que passar num dia e falhar no outro é típico de célula fraca, sensível a temperatura: não absolve o pente.
A parte que ninguém conta: o certificado da Microsoft expirou
Ao abrir a assinatura do BOOTX64.efi da 11.7, vimos que a cadeia termina na “Microsoft Corporation UEFI CA 2011”, e essa autoridade expirou em 27 de junho de 2026. A Microsoft confirma a data na nota oficial sobre a troca dos certificados de Secure Boot (KB 5062710) e diz que as máquinas que ainda não receberam os certificados de 2023 “continuam a iniciar e operar normalmente”. Na prática, o pendrive da 11.7 segue dando boot com Secure Boot ligado. O que muda é o futuro: a próxima versão que a PassMark assinar sai pela CA 2023, e aí o notebook precisa ter recebido a atualização de certificados pelo Windows Update. Guarde a imagem da 11.7 no pendrive de bancada.
Perguntas frequentes
Quantas passagens bastam? Uma passagem pega os defeitos grosseiros. Para liberar a máquina com confiança, deixe as 4 passagens da Free rodarem (ou 4 no Memtest86+): erro intermitente costuma aparecer na segunda ou terceira. Teste de madrugada, com a máquina fechada na bancada.
MemTest86 ou Memtest86+? Os dois. O da PassMark dá boot em qualquer notebook com Secure Boot sem mexer em nada; o Memtest86+ 9.00 cobre máquina antiga de BIOS, tem os testes novos para DDR5 e não para em 4 passagens.
O Diagnóstico de Memória do Windows serve? O mdsched.exe é um teste rápido, roda sem pendrive e vale como triagem. Para condenar um pente, use um dos dois programas acima, que rodam fora do Windows e testam a memória inteira.
O teste pode danificar a memória? Não, ele só escreve e lê. O que danifica pente é manuseio: segure pela borda e cuide da eletricidade estática na bancada.
Memória soldada na placa (LPDDR) falhou. E agora? O teste serve igual, mas não há pente para trocar: o serviço é de placa, com reballing ou troca do chip, e o orçamento muda de patamar.
Veredito
Vale. O MemTest86 Free 11.7 e o Memtest86+ 9.00 custam zero, cabem no mesmo pendrive e resolvem a dúvida mais cara do reparo de notebook: se é memória ou não. A dica prática é gravar os dois hoje, com os SHA-256 conferidos, e anotar na ordem de serviço o número de passagens e a linha de erro. Quando o pente passa e o defeito continua, o próximo guia desta série entra na placa: Victoria e smartctl, o teste de superfície do disco que o S.M.A.R.T. não faz.
Veja também
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- HWiNFO e CrystalDiskInfo: diagnóstico sem abrir o notebook
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Se o teste condenou a memória soldada e você precisa do esquema e do boardview da placa para achar o chip e o regulador, o Mapa da Placa reúne as fichas de reparo que a gente mantém para técnicos.
