O LaserGRBL é o programa gratuito que a maioria das gravadoras a laser de bancada assume que você vai usar — e é o único ponto do conjunto que não vem explicado na caixa. Aqui estão o endereço oficial, a versão conferida por nós em 28 de setembro de 2026 com tamanho e SHA-256, a instalação em Windows e em Linux, os cinco problemas que travam o primeiro trabalho e a configuração que evita queimar a peça de estreia.

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O que o LaserGRBL faz — e o que ele não faz

É um programa de código aberto (GPLv3, de Diego Settimi) para Windows, feito especificamente para máquinas a laser com controladora GRBL. Ele abre a imagem ou o G-code, converte foto em linhas de gravação com controle de potência, desenha o percurso na tela, envia tudo pela porta serial e mostra o estado da máquina em tempo real.

O que ele não é: não é o firmware. Quem interpreta cada linha, move os motores e liga o laser é o GRBL gravado na placa — e o pré-requisito, diz a documentação do projeto, é que a sua máquina aceite modulação de potência pelo comando S do G-code. Sem isso, o laser só tem dois estados: aceso e apagado. Boa parte do que o iniciante chama de “bug do LaserGRBL” é, na verdade, parâmetro do GRBL — é a mesma divisão de tarefas que descrevemos no guia do Candle para a CNC 3018.

Download oficial: só o GitHub do projeto

Endereço oficial, e mais nenhum: github.com/arkypita/LaserGRBL/releases. O site lasergrbl.com é do mesmo autor e serve como documentação, mas o botão de download dele aponta para essa página — e é para lá que você deve ir, não para agregador de “downloads grátis”. Baixamos o arquivo aqui e conferimos:

Item Valor conferido por nós
Versão atual 7.14.1, publicada em 1º de março de 2025
Arquivo install.exe (instalador Inno Setup)
Tamanho 7.925.566 bytes (7,56 MB)
SHA-256 a3d03003…8ea1cf86
Downloads dessa versão 1.132.655 (contador do próprio GitHub)
Sistema Windows, .NET Framework 3.5 ou superior

Confira o hash mesmo, porque o instalador não é assinado digitalmente: abrimos o executável e a tabela de certificados está zerada. Na prática, o Windows vai mostrar a tela azul do SmartScreen (“O Windows protegeu o computador”) e você terá de clicar em Mais informações → Executar assim mesmo. Isso não é sinal de vírus — é a ausência de um certificado que custa algumas centenas de dólares por ano para um projeto que vive de doação. Mas significa que a única prova de que o arquivo é o original é o SHA-256.

Página oficial de releases do LaserGRBL no GitHub mostrando a versão 7.14.1 como Latest e, abaixo, a versão 7.14.0 chamada Fix workaround for CH340 driver update issue
A página oficial de lançamentos capturada por nós em 28/09/2026: a 7.14.1 marcada como Latest, o install.exe de 7,56 MB e, logo abaixo, a 7.14.0 com o nome que conta a história deste post. Captura nossa.

Instalação, sistema por sistema

Windows. Execute o install.exe, aceite o SmartScreen, siga o assistente. Nada de barra de ferramentas ou brinde: o instalador leva o programa, as traduções (o português do Brasil está entre os 20 idiomas incluídos), três firmwares GRBL e um instalador de driver — sobre o qual falaremos em um minuto.

Linux. Não existe versão nativa, mas existe caminho oficial: o próprio repositório traz o script POL_LaserGRBL_setup.sh, mantido por MarcelW e atualizado em 29 de maio de 2025, que instala o programa no PlayOnLinux sobre o Wine 9.0-rc5 com as bibliotecas gdiplus e msxml3. Dois detalhes que o script avisa e que derrubam quem tenta na mão: seu usuário precisa entrar no grupo dialout (sudo usermod -a -G dialout $USER) e a porta /dev/ttyUSB0 precisa ser amarrada a uma COM do Wine pelo registro — o script faz isso perguntando qual porta você quer.

macOS. Não há versão, e nós não vamos fingir que há. A alternativa honesta no Mac é rodar o Windows em máquina virtual ou usar outro programa de gravação.

O achado: o driver que o LaserGRBL instala é de 2019

Quase toda gravadora de bancada usa o CH340 como conversor USB-serial, e o LaserGRBL traz um atalho para isso no menu Tools → Install CH340 driver. Fomos ver o que exatamente esse botão instala: o arquivo Driver/CH341SER.EXE do repositório, com 283.472 bytes, assinado pela Jiangsu Qinheng Co., Ltd. (a WCH, fabricante do chip) com carimbo de tempo de 5 de março de 2019. Ele entrou no projeto num commit de 24 de novembro de 2019 e nunca mais foi tocado. Dentro do pacote ainda há arquivos CH341SER.VXD e CH341S98.SYS — driver para Windows 98.

Para comparar: a WCH publica hoje o CH341SER.EXE na versão 4.0, de 24 de junho de 2026, com 780 KB e certificação WHQL (dado da API do próprio site da fabricante). O que o botão do LaserGRBL instala tem sete anos e um terço do tamanho.

E aqui vem a parte curiosa: foi justamente por ser velho que esse driver salvou muita gente.

Novembro de 2024: quando o Windows Update parou as gravadoras

Em 22 de novembro de 2024 abriu-se no projeto a issue nº 2422 — máquina que trabalhava havia meses, de repente, “conecta e desconecta na mesma hora”. O registro de sessão anexado pelo autor mostra o padrão exato: Open COM3 @ 115200, comando de reset, Close COM3, desconectado. A discussão juntou 31 comentários de gente de vários países em um mês, com a mesma frase repetida: no LightBurn funciona, no LaserGRBL não.

O autor publicou a explicação na página oficial do projeto: “Microsoft has installed a driver that remove support to all non-original clone CH340 chips” — a Microsoft distribuiu por Windows Update um driver que deixou de atender aos CH340 clonados, que são a esmagadora maioria nas controladoras baratas. O contorno que circulou nos fóruns foi reverter o driver pelo Gerenciador de Dispositivos — ou, mais simples, clicar naquele Tools → Install CH340 driver, que reinstala justamente a versão de 2019.

Página oficial do LaserGRBL intitulada November 2024 Windows driver update, com fotos de dois chips CH340 em placas e o texto explicando que a atualização da Microsoft removeu o suporte aos chips clonados
O aviso oficial publicado pelo autor do LaserGRBL, ainda no ar em 28/09/2026: a atualização de driver da Microsoft removeu o suporte aos CH340 clonados. Captura nossa da página lasergrbl.com.

A correção definitiva veio em duas versões, em três dias. Na 7.13.0 (3 de dezembro de 2024) o autor embutiu uma implementação independente de porta serial, a RJCP SerialPortStream, selecionável nas configurações. Na 7.14.0 (6 de dezembro) ele passou a filtrar as exceções que o driver novo dispara — e escreveu na nota de lançamento que aquilo “deve tornar desnecessário reverter o driver”. Na issue, quem abriu o relato voltou no Natal para dizer que tinha voltado a funcionar.

A lição prática para você, hoje: se o seu LaserGRBL não conecta, antes de mexer em driver troque o “Com wrapper” nas configurações. São três, e eles falam com a porta por caminhos diferentes: UsbSerial usa a classe padrão do .NET, UsbSerial2 usa uma implementação própria do projeto e RJCP usa a biblioteca independente. Quando um tropeça no driver, outro passa.

Os cinco problemas mais comuns

1. Conecta e desconecta na mesma hora. É o caso acima. Ordem de ataque: atualize para a 7.14.1; se persistir, Grbl → LaserGRBL settings e troque o Com wrapper para RJCP; só então pense em reverter o driver do CH340 pelo Gerenciador de Dispositivos.

2. A porta COM não aparece na lista. O problema é anterior ao programa: a placa não foi reconhecida. Confirme no Gerenciador de Dispositivos qual chip apareceu — se for CH9102 ou CH343, o driver do CH340 não serve e nunca vai servir. Se a porta existe mas o programa não abre, prove que ela está viva com um monitor serial antes de culpar o LaserGRBL.

3. Conecta, a máquina se move, mas o laser não acende. Quase sempre é o modo laser desligado no firmware. A documentação oficial do GRBL é direta: o modo se liga com $32=1, e o laser só acende em movimento G1, G2 ou G3 — em G0, o movimento rápido, ele nunca liga, por segurança. Como G0 é o modo padrão ao ligar a máquina, mandar M3 S1000 na mão e esperar luz não funciona.

4. A gravação sai chamuscada nas curvas e nos cantos. É a diferença entre M3 e M4. Em M3 a potência é constante: quando a máquina desacelera para virar, ela entrega a mesma energia num trecho mais lento e queima. Em M4, o modo dinâmico, o GRBL corrige a potência pela velocidade instantânea. A documentação acrescenta o argumento de segurança: parado, o M4 desliga o laser — “nunca vai furar a sua mesa se você parar e esquecer de desligar”.

5. A potência máxima do programa não corresponde à da máquina. O valor de S que o LaserGRBL envia precisa bater com o parâmetro $30 do GRBL, que define qual S equivale aos 5 V cheios da saída PWM. Se $30=1000 e você manda S máximo 255, está gravando com um quarto da potência; se manda 10.000, o excedente é ignorado e toda a metade de cima da escala de cinza vira preto. Leia o $$ uma vez com calma antes de acusar o programa.

A Robooster, nossa parceira, é de máquinas para marcenaria — coladeiras de borda — e não vende gravadora a laser: a recomendação abaixo é isenta. São os dois itens que a gente não deixaria faltar numa bancada com laser:

Como Associados da Amazon, recebemos por compras qualificadas feitas pelos links acima — você não paga nada a mais por isso, e ajuda o site a continuar gratuito.

O primeiro trabalho sem queimar a peça

A documentação oficial do GRBL abre o capítulo de laser com um aviso que vale repetir em português: laser causa incêndio e dano permanente à visão, e nada é pior que um incêndio na garagem. Óculos do comprimento de onda certo — os de solda não servem — e nunca deixe a máquina trabalhando sozinha.

Feito isso, a sequência que funciona: conecte em 115200 (o padrão da esmagadora maioria das controladoras GRBL) e não aceite estado diferente de Idle. Confirme $32=1, anote o seu $30, escolha M4 e comece com potência baixa e velocidade alta — é mais fácil escurecer uma gravação clara do que recuperar madeira carbonizada. Rode o contorno com o laser desligado para ver se a peça cabe onde você acha que cabe, e faça o primeiro trabalho num pedaço de sobra, nunca na peça que importa.

Perguntas frequentes

O LaserGRBL é gratuito mesmo? É, e é código aberto sob GPLv3. Não há versão paga, plano nem limite de tamanho de trabalho. O autor mantém um botão de doação e nada mais.

Ele serve para a minha CNC 3018 com módulo laser? Serve, se a controladora roda GRBL — que é o caso da 3018. Para fresar, o programa da casa é o Candle; para gravar imagem com o módulo laser, o LaserGRBL. A mesma máquina, duas cabeças, dois programas.

Por que a versão é de março de 2025? Porque o projeto está estável, não abandonado: são mais de 5,2 milhões de downloads somando os lançamentos que a API do GitHub devolve, de abril de 2020 para cá. Um programa de porta serial não precisa de lançamento trimestral.

Preciso desinstalar o driver antigo antes de instalar o outro? Em caso de conflito, sim: no Gerenciador de Dispositivos, desinstale o dispositivo marcando a opção de remover o software do driver e só então reinstale. Foi assim que a maioria saiu do problema de novembro de 2024.

O resumo que cabe na bancada

Baixe o LaserGRBL do GitHub do projeto, confira o SHA-256 porque não há assinatura digital, e espere a tela do SmartScreen sem susto. Se a máquina não conectar, troque o Com wrapper antes de mexer em driver — é o caminho que o próprio autor abriu depois do episódio de 2024. E, antes do primeiro trabalho, gaste cinco minutos com o $$: $32, $30 e a escolha entre M3 e M4 explicam quase toda gravação que sai chamuscada, fraca ou fora de lugar.

Fica também uma nota de bancada que vale além do laser: o pacote de driver que um programa carrega dentro de si envelhece junto com o programa. Às vezes isso salva o seu dia — como salvou em novembro de 2024 — e às vezes é exatamente o que impede o hardware novo de funcionar. Saber qual dos dois casos é o seu começa por olhar a data do arquivo.

No próximo guia a fila muda de assunto e volta para a mesa de projeto: o KiCad, do download ao primeiro esquema elétrico que você desenha do zero.

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Se a sua próxima pergunta for sobre a placa que comanda tudo isso — o que cada trilha faz e por onde começar a medir —, o Mapa da Placa é o nosso material de leitura de placa; vale conhecer.