Quase toda placa moderna fala — ela só não fala pela tela. Microcontrolador, roteador, decodificador, fonte inteligente: todos despejam mensagens por uma porta serial, e para ler isso é preciso um monitor serial no computador. Os três que o técnico brasileiro realmente usa são PuTTY, Tera Term e RealTerm, e eles não são intercambiáveis. Abaixo: links oficiais com versão e checksum, a configuração que resolve 90% dos casos e os cinco erros que fazem perder meia hora.
Última verificação: 22 de setembro de 2026. Versões, tamanhos e somas de verificação foram conferidos por nós nesta data direto nos canais oficiais; não hospedamos nenhum desses instaladores.
O que é um monitor serial e por que ele resolve diagnóstico
Monitor serial (ou emulador de terminal) é o programa que abre a porta COM do Windows — ou o /dev/ttyUSB0 do Linux — mostra os bytes que chegam pelo cabo e manda de volta o que você digita. Do outro lado costuma estar um conversor USB‑serial com chip CH340, CP2102, CH9102 ou FT232, que traduz a UART de 3,3 V da placa para algo que o PC entende (se essa parte ainda está confusa, leia antes nosso texto sobre I²C, SPI e UART na placa).
Para diagnóstico isso vale ouro: um roteador que não sobe mostra no console onde o boot trava, e um ESP32 que reinicia sozinho imprime o motivo antes de reiniciar. Sem monitor serial, sobra o multímetro e o palpite.

Qual dos três usar: a resposta curta
Os três são gratuitos e leem uma porta serial. A diferença está no que cada um faz além disso:
| Programa | Melhor para | Ponto fraco | Sistemas |
|---|---|---|---|
| PuTTY 0.85 | Abrir o console e ler texto; leve, também faz SSH e Telnet. | Não mostra bytes em hexadecimal nem envia arquivo por XMODEM. | Windows, Linux, fonte Unix |
| Tera Term 5.7.0 | Trabalho longo: log com hora, macro, envio de firmware por XMODEM/YMODEM/ZMODEM/Kermit. | Só Windows; interface com cara de anos 90. | Windows 7 a 11 (x86, x64, ARM64) |
| RealTerm 2.0.0.70 | Dado binário: ver tudo em hexadecimal, mandar arquivo cru, disparar sequências de bytes. | Parado desde 2014; instalação exige administrador. | Windows |
A recomendação honesta: instale o PuTTY hoje e o Tera Term na sequência. O primeiro abre qualquer console em segundos; o segundo você vai querer no dia do log de uma hora de teste ou do firmware por XMODEM. O RealTerm entra quando o assunto vira protocolo binário.
Downloads oficiais, versão por versão
PuTTY. A versão atual é a 0.85, publicada em 16 de agosto de 2026 na página oficial de downloads, mantida por Simon Tatham; os arquivos no servidor têm data de 14/08/2026. O projeto publica um sha256sums assinado em GPG — é de lá que vêm os valores abaixo.
| Arquivo | Tamanho | SHA-256 (início) |
|---|---|---|
| putty-64bit-0.85-installer.msi (x86 64 bits) | 3.846.144 bytes | 2213ebac…b2511 |
| putty-arm64-0.85-installer.msi | 3.303.936 bytes | f26059b6…c66d4 |
| putty-0.85-installer.msi (32 bits) | 3.512.832 bytes | cbc48af9…0b2e09 |
| putty.exe avulso, 64 bits | 1.706.136 bytes | d01fdb5a…a26d87 |

Vale atualizar mesmo que o PuTTY antigo “funcione”: o changelog oficial da 0.85 lista três correções de segurança, entre elas um use-after-free no Pageant. Quem usa só serial não corre esse risco, mas é o mesmo executável que faz SSH.
Tera Term. O desenvolvimento migrou para o GitHub, e a versão atual é a 5.7.0, de 4 de setembro de 2026, com o arquivo teraterm-5.7.0.sha256sum publicado ao lado dos binários em github.com/TeraTermProject/teraterm.
| Arquivo | Tamanho | SHA-256 (início) |
|---|---|---|
| teraterm-5.7.0-x64.exe (instalador) | 12.389.448 bytes | 67f890f1…0c47e |
| teraterm-5.7.0-x64.zip (portátil) | 16.144.464 bytes | 81d7238f…8edbff |
| teraterm-5.7.0-arm64.exe | 12.092.760 bytes | a105f1d4…41ff5 |
Pela documentação oficial, a versão 5 roda do Windows 7 ao 11 e tem build nativo para ARM64 — detalhe que importa em notebook novo com Snapdragon. O ZIP portátil resolve para quem trabalha em máquina de cliente e não quer instalar nada.
RealTerm. O canal oficial é o projeto no SourceForge, e a última versão publicada é a 2.0.0.70, de 22 de maio de 2014. São dois instaladores na mesma pasta: o recomendado Realterm_2.0.0.70_Signed_Wrapper_setup.exe (1.025.524 bytes, SHA-256 f75b79c1…0e53b0, mais de 3,5 milhões de downloads) e o Realterm_2.0.0.70_setup.exe (SHA-256 a82a7b72…d9f17e).
O aviso do RealTerm que ninguém dá
O arquivo readme oficial do RealTerm, dentro do próprio SourceForge, diz: “Only some versions have been released on Sourceforge. Check at www.i2cchip.com/realterm for latest and other versions.” Era o site do autor, e posts de fórum repetem a indicação até hoje.
Na nossa verificação de 22/09/2026, i2cchip.com não é mais do autor: o domínio responde com redirecionamento permanente para um site de apostas on‑line, e realterm.i2cchip.com nem resolve mais em DNS. Seguir o readme oficial hoje leva a qualquer lugar menos ao programa.
A lição vale para toda ferramenta antiga de bancada: baixe o RealTerm só da página do projeto no SourceForge e confira o SHA-256 antes de executar. Domínio de projeto abandonado é comprado justamente porque ainda recebe tráfego.
Conectar em cinco minutos
Antes de abrir qualquer programa, descubra o número da porta. No Windows, o adaptador aparece em Gerenciador de Dispositivos → Portas (COM e LPT), com o número entre parênteses; no Linux, ligue o cabo e rode ls /dev/ttyUSB* /dev/ttyACM*. Se nada aparecer, o problema é de driver, não de terminal — temos guias dedicados do CH340, do CP2102 e do CH9102/CH343.
No PuTTY: marque Connection type: Serial, escreva COM4 (ou o seu número) em Serial line e 115200 em Speed. Em Connection → Serial, confirme 8 data bits, 1 stop bit, paridade None e — o detalhe que trava gente — flow control em None: a documentação oficial lembra que RTS/CTS e DSR/DTR usam fios físicos do cabo, que num conversor USB‑TTL de quatro fios não existem. Salve em Saved Sessions antes de conectar.
No Tera Term: na janela inicial escolha Serial, selecione a porta e confirme; a velocidade fica em Setup → Serial port. Para registrar tudo em arquivo, File → Log — com o carimbo de hora ligado, dá para cronometrar quanto a placa leva entre uma mensagem e outra do boot. Na 5.7.0, com o Terminal ID em dumb, esse carimbo passa a sair também na janela.
No RealTerm: porta e velocidade ficam na aba Port; a aba Send dispara arquivos e sequências de bytes. A aba Display é o motivo de o programa existir: fora os modos de texto, todos os outros são hexadecimais — a documentação oficial lista leitura em 1 ou 2 bytes, inteiro e ponto flutuante de 4 bytes e big/little endian.
No Linux, o PuTTY está nos repositórios (sudo apt install putty) e aceita o caminho completo em minúsculas: /dev/ttyUSB0. Erro de permissão significa usuário fora do grupo dialout — sudo usermod -aG dialout $USER e reinicie a sessão. Quem prefere terminal puro usa picocom, minicom ou screen /dev/ttyUSB0 115200.
Os cinco problemas mais comuns
1. “Unable to open connection to COM3” ou erro 5, acesso negado. A porta serial é exclusiva: um programa por vez. Quase sempre há um monitor serial da IDE do Arduino, uma janela esquecida do próprio PuTTY ou um gravador segurando a porta — feche tudo e tente de novo. Numa pergunta de 11/08/2023 no Microsoft Q&A, o mesmo erro 5 aparecia em três programas diferentes: software de segurança corporativo também bloqueia porta COM. E o número muda — trocar o adaptador de conector USB costuma gerar uma COM nova.
2. No Linux, “unable to open serial port” com o dispositivo certo na mão. O nome exige caminho completo e respeita maiúsculas e minúsculas. Num tópico de dezembro de 2020 no fórum do Raspberry Pi, o usuário insistia em TTYAMC0 e só funcionou ao escrever /dev/ttyACM0 — repare que as letras ACM também estavam fora de ordem. Regra: copie o nome que o ls mostrou, não digite de memória.
3. Conecta, mas só vem lixo na tela. Símbolos aleatórios com o cabo certo são velocidade errada em 9 de cada 10 casos: teste 9600, 19200, 38400, 57600 e 115200, dando Enter a cada troca até o texto virar palavra. Na discussão da comunidade da STMicroelectronics sobre UART embaralhada no Tera Term, a causa era mais sutil: o divisor de clock do microcontrolador gerava uma taxa alguns por cento acima da nominal. Linha assíncrona tolera pouca diferença entre as pontas — passando de uns 2% a 3%, o byte quebra.
4. O envio some no meio: colar texto grande ou mandar arquivo derruba caracteres. Não é mito de bancada. No Tera Term, a issue #1000, aberta em 07/12/2025 e encerrada em 29/08/2026, mostra o motivo: o envio se apoia num buffer do sistema que o Windows relata como zero, e o programa despeja blocos maiores do que a porta dá conta. A correção entrou na 5.7.0 como limite de tamanho no envio serial, com buffers maiores (16.384 bytes na recepção, 4.096 no envio). Na prática: quem cola configuração longa em equipamento deve atualizar para a 5.7.0 — e, se ainda cair caractere, baixar a velocidade.
5. RealTerm não instala no Windows 10/11. O sintoma clássico é “Failed to register RealtermWrapper .Net framework not found” ou uma exceção EOleSysError. Num tópico de 04/01/2016 no fórum do projeto, o próprio criador, Simon Bridger, respondeu que esse wrapper não faz nada no uso normal — servia para embutir o RealTerm no Internet Explorer; pode desmarcá‑lo na instalação. Os outros caminhos relatados ali: instalar com Executar como administrador e, em casos teimosos, habilitar o .NET 3.5 do Windows.
Não vendemos ferramentas de informática — a análise acima é isenta. Se o que falta na sua bancada é o outro lado do cabo, um conversor USB‑serial resolve por pouco:
Como Associados da Amazon, recebemos por compras qualificadas feitas pelos links acima — você não paga nada a mais por isso, e ajuda o site a continuar gratuito.
Perguntas frequentes
Dá para ver os bytes em hexadecimal no PuTTY? Não de forma nativa — ele mostra texto. Quando o protocolo é binário (comandos de impressora, quadros de sensor, respostas de firmware), use o RealTerm no modo Hex.
Tera Term 4 ou 5? Versão 5 — é a linha que recebe correção de segurança: só em julho de 2026 o componente SSH do projeto corrigiu uma falha de validação de tamanho de pacote. Fique na 4 apenas se um equipamento antigo exigir algo que saiu.
Qual velocidade tentar primeiro? 115200. É o padrão dos ESP32, da maioria dos bootloaders e dos consoles de roteador. Em equipamento industrial e placa mais antiga, 9600 ainda é comum.
E no macOS? Nenhum dos três tem binário oficial para Mac. Ali o caminho é screen /dev/cu.usbserial-XXXX 115200 no Terminal.
Conclusão
Monitor serial é ferramenta de dez segundos de instalação que devolve horas de diagnóstico — desde que você acerte três coisas: porta certa, velocidade certa e controle de fluxo em None. Comece pelo PuTTY, tenha o Tera Term para o dia do log e do XMODEM e guarde o RealTerm para quando a conversa da placa for em bytes — baixando só do SourceForge.
No próximo guia, o gravador que quase toda bancada tem na gaveta: NeoProgrammer com CH341A, em português, incluindo o que fazer quando ele lê a memória mas se recusa a gravar.
Veja também
- Arduino IDE 2: porta COM não aparece — o diagnóstico completo de quando o Windows não enxerga o adaptador.
- Driver CH340: download e instalação — o chip mais comum do outro lado do cabo serial.
- I²C, SPI e UART: os barramentos da placa — o que exatamente está passando por aqueles dois fios.
Se depois de abrir o console a pergunta virar “que estágio da placa está falando comigo”, o Mapa da Placa é o nosso material de leitura de placa — vale conhecer.
