Este circuito acende um LED verde só enquanto a bateria de 12 V estiver dentro da faixa saudável, entre 11,5 V e 15,0 V. Serve para ficar no painel do nobreak, da moto, do carro parado ou do banco solar: se o LED apagou, ou a bateria descarregou, ou o carregador está jogando tensão demais nela. Nível iniciante — nove componentes, nenhum ajuste.

Ele sai do datasheet do TL431 da Texas Instruments (SLVS543S, revisão de maio de 2024), Figura 9-12, página 30, que a própria TI batizou de “Voltage Monitor”. As duas fórmulas dos limites e a nota de projeto são as da figura.

Conteúdo da Página

O que você vai precisar

Ref. Componente Valor Tolerância / potência Qtd.
U1, U2 Referência ajustável TL431 TO-92 grau padrão (±2%) ou TL431B (±0,5%) 2
R1A Resistor 11 kΩ 1% — 1/4 W 1
R2A Resistor 2,2 kΩ 1% — 1/4 W 1
R1B Resistor 4,7 kΩ 1% — 1/4 W 1
R2B Resistor 1,3 kΩ 1% — 1/4 W 1
R3 Resistor 1 kΩ 5% — 1/4 W 1
R4 Resistor 2,2 kΩ 5% — 1/4 W 1
D1 LED verde 5 mm 2,0 V a 10 mA 25 mA máx. contínuos 1
J1 Borne de 2 vias passo 5,08 mm — 1

Os quatro resistores dos divisores definem os limites: use 1% neles. R3 e R4 só mexem no brilho, 5% basta. O 1,3 kΩ é da série E24; se não achar, veja “Variações”.

TL431 da Texas Instruments em encapsulamento TO-92, com a marcação TL431I visível
O TL431 em TO-92, do tamanho de um transistor pequeno. Foto: Retired electrician, Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

Como funciona

O TL431 não é um amplificador operacional nem um zener: tem lá dentro uma referência de 2,495 V e um comparador. Com o pino REF abaixo de 2,495 V ele fica aberto, como chave desligada; passando disso, conduz entre cátodo e ânodo e puxa o cátodo para perto de 2 V — 2 V, e não 2,5 V, porque aqui ele trabalha em malha aberta (seção 9.2.1.2.2 do datasheet).

Estágio 1 — o limite de baixo (U2). O divisor R1B/R2B entrega uma fatia da tensão da bateria ao REF do U2. Quando essa fatia chega a 2,495 V, o U2 liga, puxa o cátodo do LED para baixo e o LED acende. A fórmula é a da própria Figura 9-12:

Limite baixo = (1 + R1B / R2B) × Vref
(1 + 4,7 kΩ / 1,3 kΩ) × 2,495 V = 4,615 × 2,495 V = 11,52 V

Estágio 2 — o limite de cima (U1). O U1 vigia o segundo divisor, R1A/R2A, e tem o cátodo ligado no nó B, justamente o ponto que alimenta o REF do U2. Quando a bateria sobe demais, o U1 liga e derruba o nó B para 2 V: o U2 desliga e o LED apaga. É um comparador de janela com dois componentes de três pernas.

Limite alto = (1 + R1A / R2A) × Vref
(1 + 11 kΩ / 2,2 kΩ) × 2,495 V = 6,000 × 2,495 V = 14,97 V

Estágio 3 — o LED. R3 limita a corrente e R4 fica em paralelo com o LED. A nota A da figura manda escolher R3 e R4 “para dar o brilho desejado e no mínimo 1 mA de corrente de cátodo ao TL431”. Com 1 kΩ e 2,2 kΩ a simulação deu 7,7 mA no LED e 8,6 mA no cátodo do U2 com a bateria em 12,6 V — folga confortável sobre esse mínimo.

Esquema do monitor de bateria de 12 V com dois TL431, divisores R1A/R2A e R1B/R2B, R3, R4 e LED verde
Esquema redesenhado conforme a Figura 9-12 (“Voltage Monitor”) do documento SLVS543S da Texas Instruments.

O que a simulação mostrou

Rodamos o circuito no ngspice com o modelo SPICE oficial da TI (SLVM071B) e um modelo de LED verde ajustado ao datasheet do Kingbright WP7113GD. O modelo foi conferido antes contra a tabela do fabricante: Vref de 2.498 mV (especificado 2.440 / 2.495 / 2.550).

Os limiares bateram com as fórmulas quase na casa decimal: 11,53 V contra os 11,52 V calculados (erro de 0,11%) e 14,97 V contra 14,97 V (0,01%). A comutação é rápida: bastam 10 mV de variação da bateria para o LED sair de apagado para aceso.

Gráfico da simulação: corrente no LED e consumo total do circuito em função da tensão da bateria, com a faixa de 11,52 a 14,97 V destacada
Varredura no ngspice. Em cima, a corrente no LED e o consumo total; embaixo, o nó B cruzando os 2,495 V da referência interna. A faixa verde é onde o LED fica aceso.

A placa de circuito impresso

A placa abaixo foi desenhada no KiCad a partir deste esquema, com os encapsulamentos reais da lista, em face única (68 × 40 mm), trilhas de 0,8 mm e folga de 0,4 mm — medidas que aguentam a transferência térmica em casa. As ligações foram conferidas pino a pino e o roteamento fechou sem nenhuma ligação pendente e sem violação de folga. Só o trilho positivo entre R1A e R1B virou o jumper JP1: um fio rígido soldado por cima, marcado na serigrafia.

Placa do monitor de bateria com TL431 vista de cima: serigrafia dos componentes e trilhas de cobre da face de baixo
Vista de cima: a serigrafia com a posição de cada componente e, em azul, as trilhas de cobre da face de baixo.
Lado do cobre da placa do monitor de bateria com TL431
O lado do cobre, como você vê a placa virada. Para transferir, use o PDF em escala 1:1 abaixo.

Arquivos da placa:

Montagem

A ordem que menos dá dor de cabeça: primeiro os sete resistores, depois o borne, depois os dois TL431 e o LED por último. Ferro quente e rápido — o TO-92 não gosta de dez segundos de ferro encostado.

A polaridade é o único ponto perigoso. O TL431 em TO-92, com a face chata virada para você e os terminais para baixo, tem os pinos nesta ordem, da esquerda para a direita: REF, ÂNODO, CÁTODO. Confie na posição, não no número: a TI chama o cátodo de pino 1 e a onsemi chama o REF de pino 1, nos mesmos terminais físicos. Na placa, o furo quadrado do TL431 é o REF. O LED tem o cátodo (perna curta, lado chanfrado) no furo quadrado da serigrafia. Trocar o LED de lado não queima nada, só não acende; trocar o TL431, sim, pode danificá-lo.

Ligue a entrada com um fusível de 100 mA em série com o positivo: evita que um curto na bancada vire fumaça com uma bateria de carro atrás.

Tensões esperadas

Ponteiro preto no negativo da bateria. Valores com a bateria em 12,6 V (carregada, em repouso):

Ponto O que é Valor esperado
A REF do U1 (divisor R1A/R2A) 2,10 V
B REF do U2 e cátodo do U1 2,73 V
C Ânodo do LED (saída de R3) 3,96 V
D Cátodo do LED e cátodo do U2 2,00 V
— Corrente no LED 7,7 mA
— Consumo total 11,7 mA

Com a bateria fraca (10,0 V), C e D sobem juntos para os mesmos 10,0 V — sem diferença de tensão, o LED fica apagado — e o consumo cai para 2,4 mA. Com sobretensão (16,0 V), B trava em 2,00 V, que é o U1 trabalhando, e o consumo fica em 4,2 mA. Medido em simulação; na bancada aceite ±10%.

Precisão: com TL431 de grau padrão (±2%) e resistores de 1%, o limite de baixo pode cair entre 11,09 V e 11,96 V; com o TL431B (±0,5%), entre 11,28 V e 11,76 V.

Onde costuma dar errado

  1. TL431 ao contrário. É o erro número um, porque TO-92 parece transistor e a gente monta no automático. Face chata para você: REF, ânodo, cátodo.
  2. O LED não pisca — ele treme. Este circuito não tem histerese: com a bateria parada em cima do limiar, qualquer carga que ligue e desligue faz o LED acender e apagar junto. É a topologia do datasheet; o jeito honesto de resolver é afastar o limiar da tensão de trabalho.
  3. Aquecimento: aqui ninguém esquenta — e vale saber por quê. O maior dissipador é R3, com 74 mW. O que mata o TL431 não é calor, é tensão: o cátodo aguenta 37 V (tabela 6.1) e, com o LED apagado, C e D ficam na tensão cheia da bateria. Em 12 V sobra margem; em 24 V não dá para copiar sem refazer as contas.
  4. Ruído e transiente. Na partida de um motor a bateria afunda por meio segundo e o LED apaga. Não é falha — mas, num carro, ligue o circuito depois da chave, não direto no polo.
  5. Alimentação invertida. Não há diodo de proteção aqui (o datasheet também não põe). Se o circuito vai para a mão de outra pessoa, ponha um 1N4007 em série com o positivo e recalcule os divisores para os 0,8 V que ele tira.

Variações

Esses 11,7 mA valem cerca de 8,4 Ah por mês — numa bateria de carro de 45 Ah isso pesa em veículo que fica meses parado. Nesse caso, monitor atrás de uma chave ou de um botão de pulso.

Veja também

Circuito do fabricante, conferido em simulação; se você montar, mande a foto para a Saber.

Se o que você quer é entender a placa inteira da bancada, e não um circuito de cada vez, o Mapa da Placa é o nosso acervo de fichas de reparo, organizado por placa e por defeito.