Este circuito carrega uma célula de lítio de um elemento (3,7 V) a partir de qualquer porta USB, com corrente controlada, corte automático e dois LEDs indicando a fase da carga. Serve para dar vida nova a um projeto portátil, a um rádio ou a uma lanterna. O nível é intermediário: o CI é de montagem em superfície e exige uma plaquinha adaptadora, mas o resto é resistor, capacitor e LED.

O coração é o TP4056, da NanJing Top Power ASIC. O circuito saiu da aplicação típica do datasheet do fabricante (revisão de junho de 2026, páginas 3 e 6) e foi conferido por nós em simulação. Uma advertência antes de tudo: este circuito carrega, mas não protege — voltamos a isso no fim.

Conteúdo da Página

O que você vai precisar

Ref. Componente Valor Tolerância / potência / tensão Qtd.
U1 CI carregador TP4056, SOP-8 TP4056 entrada de 4,0 a 8,0 V 1
Plaquinha adaptadora SOP-8 para DIP-8 com barra de pinos 1
R1 Resistor de filme (programa a corrente) 5,1 kΩ ±1%, 1/4 W 1
R2, R3 Resistores de filme (limitam os LEDs) 1 kΩ ±5%, 1/4 W 2
C1, C2 Capacitores eletrolíticos 10 µF 16 V ou mais 2
D1 LED vermelho de 5 mm (carregando) ≈ 2,8 mA no circuito 1
D2 LED verde de 5 mm (carga completa) ≈ 2,0 mA no circuito 1
J1, J2 Bornes de 2 vias (entrada e bateria) passo 5,08 mm 2
B1 Célula de lítio 1S, com proteção 3,7 V 500 a 2000 mAh 1

Some uma fonte USB de 5 V que aguente meio ampère e um cabo curto e grosso.

Módulo pronto de carregador de lítio com o CI TP4056 em encapsulamento SOP-8, ao lado dos CIs de proteção DW01A e 8205A
O TP4056 é o CI maior, de oito pinos, no módulo pronto que se vende por aí. Ao lado ficam o DW01A e o par 8205A: a proteção da célula, que o nosso carregador não tem. Foto: -stk, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Como funciona, estágio por estágio

O estágio de potência. Dentro do CI há um MOSFET de canal P ligando a entrada de 5 V ao pino BAT. Ele não é uma chave liga-desliga: é uma torneira, comandada por duas malhas de realimentação que disputam quem fecha mais. Não existe diodo de bloqueio nem resistor de medição de corrente do lado de fora.

A malha de corrente e o papel do R1. O pino PROG devolve para fora 1/1200 da corrente que entra na bateria. Essa corrente atravessa o R1 e vira tensão, e o CI trabalha para manter essa tensão em 1,00 V. Daí sai a fórmula do fabricante:

Icarga = 1200 / R1  →  1200 / 5100 = 235 mA

O datasheet declara ±10% nessa conta. Escolhemos 5,1 kΩ de propósito, e não os 1,2 kΩ que dariam o ampère do nome do chip — a razão é térmica.

A malha de tensão e as três fases. Abaixo de 2,9 V a célula está exausta e o CI entra em pré-carga, com um décimo da corrente (23,5 mA aqui). De 2,9 V a 4,2 V, corrente constante. Em 4,2 V a segunda malha assume, segura a tensão com ±1% (4,158 a 4,242 V) e deixa a corrente cair. Quando ela chega a um décimo do programado, o ciclo encerra, o LED vermelho apaga e o verde acende. Se a célula depois cair para 4,05 V, o ciclo recomeça.

Calor: a conta que decide o projeto. Todo o excesso de tensão vira calor dentro do CI, e o datasheet dá a fórmula: P = (Ventrada − Vbateria) × I. No pior momento, com a célula em 3,0 V, dá (5 − 3,0) × 0,235 = 0,47 W. Numa placa caseira modesta (150 °C/W) são 71 °C acima do ambiente: quente, mas longe dos 145 °C em que o chip se defende cortando corrente. Com 1,2 kΩ a conta explode e o CI entrega os 400 mA que o calor permite, não o ampère. Programar mais corrente do que a placa dissipa não adianta nada.

O esquema

Esquema elétrico do carregador de bateria de lítio com o CI TP4056, resistor de programação de 5,1 kΩ, dois LEDs indicadores e bornes de entrada e de bateria
Esquema redesenhado conforme a aplicação típica do datasheet TP4056 da NanJing Top Power ASIC Corp. (revisão de junho de 2026, páginas 3 e 6). Desenho próprio; nenhuma figura do documento foi copiada.

Três ligações merecem atenção. O CE (pino 8) vai ao +5 V: é o habilita, e sem ele o CI fica parado. O TEMP (pino 1) vai ao terra, o que desliga o monitoramento de temperatura — ele só faz sentido se a célula tiver termistor NTC com fio próprio. E CHRG e STDBY são saídas em dreno aberto: só puxam para o terra, por isso o LED vai do +5 V para o pino.

A placa de circuito impresso

A placa abaixo foi desenhada no KiCad a partir do mesmo esquema, com os encapsulamentos reais da lista, em face única (60 × 42 mm), trilhas de 0,8 mm e folga de 0,4 mm — medidas que aguentam a transferência térmica em casa. As ligações foram conferidas pino a pino e o roteamento fechou sem ligação pendente, sem violação de folga e sem um único jumper. O U1 aparece como DIP-8 porque é assim que ele chega na placa, já soldado na plaquinha adaptadora.

Placa de circuito impresso do carregador de lítio com TP4056 vista de cima: serigrafia com a posição dos componentes e trilhas de cobre da face de baixo
Vista de cima: a serigrafia com a posição de cada componente e, em azul, as trilhas de cobre da face de baixo.
Lado do cobre da placa do carregador de lítio com TP4056
O lado do cobre, como você vê a placa virada. Para transferir, use o PDF 1:1 abaixo, já espelhado do jeito certo.

Arquivos da placa:

Montagem

  1. Primeiro o adaptador. Solde o TP4056 na plaquinha SOP-8 com ferro de ponta fina e fluxo. O ponto no corpo do CI é o pino 1 e tem que cair no pino 1 da plaquinha. Confira em continuidade antes de seguir.
  2. Depois o que é baixo. R1, R2 e R3, deitados. Nenhuma polaridade aqui.
  3. Os eletrolíticos. A faixa clara com o sinal de menos vai para o terra, o furo redondo. Invertido, o capacitor estufa.
  4. Os LEDs. A perna curta e o lado chanfrado do corpo são o catodo, e vão para o pino do CI — na serigrafia, o furo quadrado.
  5. Os bornes e, por último, o CI, de preferência numa base DIP-8, para poder trocá-lo depois.
  6. Teste antes da bateria. Com o J2 vazio, o LED verde deve acender e o vermelho piscar devagar — é o CI avisando que não há bateria. Só então ligue a célula: bateria invertida no J2 queima o CI.

Tensões esperadas

Ponto de medida Situação Valor esperado
VCC (pino 4) ligado na USB 4,75 a 5,25 V
PROG (pino 2), sobre o R1 corrente constante 1,00 V
PROG (pino 2), sobre o R1 pré-carga (célula abaixo de 2,9 V) 0,10 V
PROG (pino 2), sobre o R1 ciclo encerrado abaixo de 0,10 V
BAT (pino 5) carga completa 4,20 V
CHRG (pino 7) carregando ≈ 0,16 V (LED vermelho aceso)
CHRG (pino 7) carga completa ≈ 5 V (LED apagado)
STDBY (pino 6) carga completa ≈ 0,16 V (LED verde aceso)
Corrente na bateria corrente constante 235 mA
Corrente na bateria pré-carga 23,5 mA
Corrente de entrada carregando ≈ 240 mA

Valores medidos em simulação; na bancada aceite ±10%. Um truque que vale ouro: em vez de abrir o circuito para medir corrente, meça a tensão sobre o R1 e multiplique por 235. É a leitura direta da corrente de carga.

Gráfico do ciclo de carga simulado: corrente de carga e tensão da bateria ao longo de cinco horas, mostrando pré-carga, corrente constante, tensão constante e o encerramento
O ciclo como o ngspice devolveu: pré-carga, o patamar de 235 mA, a virada para tensão constante em 4,20 V e o corte em 23,5 mA. A célula é um modelo genérico de 1000 mAh — o tempo total depende da sua bateria.

Onde costuma dar errado

Variações

A parte que ninguém conta

O TP4056 é um carregador, e só. Ele não desliga a célula quando ela cai abaixo de 2,5 V na descarga nem corta um curto na saída: isso é trabalho do par DW01A + 8205A da foto do módulo pronto. Se a sua célula já vem com a plaquinha de proteção no terminal, ótimo; se for nua, ponha uma placa 1S entre a bateria e o resto do mundo. Carregar é a parte fácil — é descarregando que a célula de lítio se estraga.

Uma nota de honestidade: corrente de carga, tensão de flutuação e os limiares de pré-carga e corte bateram com o datasheet com menos de 1% de diferença, e a nossa conta térmica reproduziu exatamente os dois exemplos resolvidos do documento. O modelo do CI no ngspice foi escrito por nós a partir das equações do datasheet, porque a NanJing não publica modelo SPICE. Ainda não montamos esta placa na bancada. Se você montar, mande a foto para a Saber.

Veja também

Se algum ponto da tabela teimar em não bater, o problema quase nunca está no CI — está numa ligação que você jura ter feito. O Mapa da Placa é o nosso método para achar isso sem chutar.