Esta placa transforma um transformador de 15 V + 15 V com derivação central em duas tensões reguladas e espelhadas, +12 V e −12 V, com o terra no meio — a fonte que amplificador operacional e quase todo circuito analógico de revista pede. Usa o par clássico 7812 (positivo) e 7912 (negativo) com dois LEDs de presença, e entrega até 500 mA por saída com dissipador. Nível: iniciante a intermediário — sem ajuste, mas com tensão de rede no primário.

O circuito não é invenção nossa: o núcleo é a Figure 10, “Operational Amplifier Supply”, página 9 do datasheet MC7900/D Rev. 21 (outubro de 2021) da onsemi, fabricante do CI, complementada pela Figure 11 (diodos de proteção), página 10. O original da onsemi usa 7815/7915 para ±15 V; aqui trocamos pelos 7812/7912 da mesma família, com os números da tabela do MC7812C (datasheet MC7800/D Rev. 29, página 9) e do MC7912C (MC7900/D, página 5). Datas e números conferidos em 13 de outubro de 2026.

Conteúdo da Página

O que você vai precisar

Ref. Componente Especificação Qtd.
T1 Transformador primário 127/220 V; secundário 15 V + 15 V, 1 A, com derivação central (fica fora da placa) 1
F1 Fusível + porta-fusível no primário, retardo; para um transformador de 30 VA: 500 mA em 127 V ou 250 mA em 220 V 1
D1–D8 Diodo 1N4007 1 A, 1000 V 8
C1, C2 Eletrolítico 2200 µF, 35 V, 16 mm de diâmetro, passo 7,5 mm 2
C3, C4 Poliéster ou cerâmico 330 nF, 63 V 2
C5, C6 Eletrolítico 1 µF, 25 V ou mais 2
U1 Regulador positivo MC7812CT (ou L7812CV, LM7812), TO-220 1
U2 Regulador negativo MC7912CT (ou L7912CV, LM7912), TO-220 1
R1, R2 Resistor 1 kΩ, 5%, 1/4 W 2
LED1, LED2 LED vermelho 5 mm 1,9 V a 10 mA 2
J1, J2 Borne de parafuso 3 vias, passo 5,08 mm 2
— Dissipador TO-220 + kit de isolação 15 °C/W ou melhor, cada; mica (ou silicone) e bucha isolante 2

Como funciona

Retificação. A derivação central vira o terra. D1 e D2 levam os picos positivos ao C1; D3 e D4, os negativos ao C2. O pico de 15 V eficazes é 21,2 V; tirando diodo e enrolamento, a simulação dá 17,7 V médios em cada capacitor com 500 mA de carga, e 20,2 V sem carga.

Filtro. Entre dois picos da rede quem segura a carga é o capacitor. A conta de bolso é ΔV = I / (2·f·C) = 0,514 A / (2 × 60 × 0,0022 F) = 1,95 V de ondulação. A simulação mostrou 1,35 V: a conta supõe descarga durante o meio ciclo inteiro, então serve como pior caso.

Regulação. No fundo da ondulação, o capacitor tem de ficar acima da saída somada à queda mínima do regulador. Pelo datasheet, o 7812 precisa de 2,0 V (entrada mínima 14 V) e o 7912 de 1,3 V (−13,3 V). Com 17,0 V no vale, sobram 3 V. Em cada saída, a onsemi especifica 60 dB (7812) e 61 dB (7912) de rejeição de ondulação a 120 Hz — os 1,35 Vpp do capacitor viram cerca de 1,4 mVpp na saída.

Os quatro diodos extras. D7 e D8 são os clamp diodes da Figure 10: quando o circuito alimentado liga carga entre +12 e −12 V (caso de todo amplificador operacional), o lado negativo pode subir antes e arrastar a saída do 7812 para baixo de zero. A onsemi avisa que isso pode travar o 7812 (latch-up) com mais de 200 mA; o diodo segura a saída em −0,7 V. D5 e D6 vêm da Figure 11: se a entrada for curto-circuitada ou desligada de repente, o capacitor de saída descarrega pelo diodo, e não por dentro do CI. Com C5 e C6 de 1 µF são seguro barato (o datasheet diz que abaixo de 10 µF “geralmente” não precisa), mas já ficam prontos se você aumentar a saída.

LEDs. R = (12 − 1,9) / 0,010 ≈ 1 kΩ, ou 10 mA em cada LED. O LED2 vai invertido de propósito: o anodo fica no terra, porque o “positivo” dele é o 0 V.

Esquema da fonte simétrica de mais e menos 12 V com ponte de diodos, capacitores de filtro, reguladores 7812 e 7912, diodos de proteção e LEDs
Esquema redesenhado conforme a Figure 10 (“Operational Amplifier Supply”) e a Figure 11 do datasheet MC7900/D Rev. 21 da onsemi, com os reguladores de 12 V da mesma família. Desenho nosso; nenhuma figura do documento foi copiada.
Regulador MC7812CT da Motorola em encapsulamento TO-220 soldado numa placa de aparelho de som
Um MC7812CT de verdade, ainda com a marca da Motorola — a divisão de semicondutores que em 1999 virou a onsemi —, soldado na placa de um aparelho Pioneer. Repare na serigrafia “I” e “O” embaixo dos terminais de entrada e saída. Foto: Raimond Spekking, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (redimensionada).

A placa de circuito impresso

A placa foi desenhada no KiCad a partir do mesmo esquema, com os encapsulamentos reais da lista, em face única (70 × 60 mm), trilhas de 0,8 mm e folga de 0,4 mm, medidas que aguentam a transferência térmica caseira. As ligações foram conferidas pino a pino contra os dois datasheets e o roteamento fechou com 138 trilhas, nenhuma via, nenhum jumper e nenhuma ligação pendente. Os reguladores ficam na borda, com a aba para fora, por causa do dissipador.

Placa de circuito impresso da fonte simétrica de 12 V vista de cima, com a serigrafia dos componentes e as trilhas de cobre
Vista de cima: a serigrafia com a posição de cada componente e, em azul, as trilhas da face de baixo. O “K” marca o catodo de cada diodo.
Lado do cobre da placa da fonte simétrica de 12 V
O lado do cobre. Para transferir, use o PDF em escala 1:1 abaixo.

Arquivos da placa:

Montagem

Circuito do fabricante, conferido em simulação. Ainda não montamos esta placa na bancada; se você montar, mande a foto para a Saber.

  1. Diodos primeiro (D1–D8), conferindo a faixa de cada um com o “K” da serigrafia. Depois resistores, C3/C4, bornes.
  2. Eletrolíticos: no C1 o positivo vai para o lado do 7812; no C2 e no C6 o positivo vai para o terra. É o erro número um em fonte simétrica.
  3. Reguladores por último, cada um no seu lugar. A pinagem é diferente: no 7812 é entrada–terra–saída; no 7912 é terra–entrada–saída (de frente para as letras, da esquerda para a direita).
  4. Primeiro teste sem carga e sem os dissipadores aparafusados, com o primário do transformador protegido por fusível. Isole todas as ligações de rede com espaguete termocontrátil antes de ligar na tomada.

Tensões esperadas

Ponto Sem carga 500 mA em cada saída
J1, entre cada ponta e o CT (multímetro em AC) ~15 V eficazes ~15 V eficazes
C1 (+) em relação ao terra +20,2 V +17,7 V (17,0 a 18,4)
C2 (−) em relação ao terra −20,2 V −17,7 V (−17,0 a −18,4)
Saída +12 V (J2-1) +12,00 V +12,00 V, ondulação 1,4 mVpp
Saída −12 V (J2-3) −12,00 V −11,98 V, ondulação 1,2 mVpp
Corrente em cada LED 10 mA 10 mA
Potência em cada regulador 0,15 W 3,0 W (exige dissipador)

Medido em simulação (ngspice, rede de 127 V e 60 Hz, transformador com 1 Ω por meio enrolamento — valor típico que adotamos); na bancada aceite ±10%. O próprio datasheet garante a saída entre 11,5 e 12,5 V. A onsemi não publica modelo SPICE do 7812 nem do 7912; usamos um modelo comportamental nosso, conferido contra a tabela (corrente quiescente 3,4 e 4,4 mA, regulação de carga 8,1 e 46 mV, rejeição 60 e 61 dB, limite 2,2 e 2,1 A).

Gráfico da simulação comparando transformador de 15 mais 15 volts com transformador de 12 mais 12 volts na fonte simétrica
Em cima, o projeto: o vale da ondulação fica 3 V acima do mínimo e as saídas são retas. Embaixo, o mesmo circuito com transformador de 12 V + 12 V: o lado positivo cai abaixo dos 14 V que o 7812 exige e a saída afunda para 11,0 V a cada ciclo (média de 11,63 V). Simulação nossa.

Onde costuma dar errado

Variações

Veja também

Se você quiser aprender a achar essas mesmas tensões de +12 V e −12 V dentro de um aparelho de verdade — onde elas nascem e onde somem quando a placa morre —, é disso que trata o Mapa da Placa.