O PICkit 3 e o PICkit 4 são os gravadores oficiais de microcontroladores PIC que mais aparecem em bancada no Brasil, e os dois usam o mesmo programa para gravar um arquivo .hex: o MPLAB IPE, que vem dentro do instalador do MPLAB X IDE. O detalhe que derruba quase todo mundo: a versão atual do MPLAB X não reconhece mais o PICkit 3 — e isso não é defeito do gravador.
Aqui estão os links oficiais, a versão certa para cada gravador, a ligação e os cinco problemas mais comuns, com a fonte de cada correção. Última verificação: 16 de setembro de 2026.
PICkit 3, PICkit 4 e MPLAB IPE: quem faz o quê
O PICkit é o hardware: grava e depura o PIC por ICSP (gravação serial no circuito), pelos pinos MCLR, PGD e PGC. No computador são dois programas do mesmo pacote: o MPLAB X IDE, ambiente completo para quem escreve código, e o MPLAB IPE, a versão enxuta de linha de produção — escolhe o chip, carrega o .hex, grava e verifica.
Para o técnico que só precisa regravar o firmware de uma placa, o IPE é a ferramenta certa. O manual do IPE (DS50002227H, abril de 2023) confirma que ele é uma opção do instalador do MPLAB X e que “você não precisa instalar o MPLAB X IDE para usar o IPE” — basta deixar só a caixa do IPE marcada.
Download oficial: qual versão serve para o seu gravador
Não existe “driver do PICkit” avulso: os drivers USB vêm no instalador do MPLAB X. O que importa é a versão, e ela depende do gravador. Os links apontam para o site da Microchip — não hospedamos nenhum instalador.
| Seu gravador | Versão para instalar | Onde baixar |
|---|---|---|
| PICkit 3 | MPLAB X IDE / IPE v6.20 (a última com suporte) | Arquivo de downloads do MPLAB |
| PICkit 4 | MPLAB X IDE / IPE v6.35 — 24/7/2026 | Página do MPLAB X IDE |
| PICkit 5 | MPLAB X IDE / IPE v6.35 | Mesma página acima |
A v6.35 é distribuída para Windows, Linux e macOS, e a Microchip publica o SHA-256 de cada instalador na própria página — confira antes de executar (no Windows, certutil -hashfile arquivo.exe SHA256; no Linux e no macOS, shasum -a 256 arquivo):
- Windows:
64a5247d5c1e2db7c6fb3b8d2fa43d5578d7efebe2e51db44706b20d441c2061 - Linux:
4c747363dcfb315726439f968d0e25b0b17214bb9ba5d2fd4a7f3bab28c56705 - macOS:
3bc7fac105ac522f435e0e81eae45ac773566c6828e60f28e70df5f9b33ccfe6
Requisitos das notas de versão: 64 bits obrigatório desde a v5.40 e Windows 11 suportado a partir da v6.05.

Por que o PICkit 3 sumiu das versões novas
Em abril de 2024, a Microchip avisou no blog oficial que “o MPLAB X IDE v6.25 não será compatível com o já obsoleto PICkit 3” (nem com o ICD 3 e o REAL ICE). E respondeu a quem não quer trocar de gravador: “podem ficar no MPLAB X IDE v6.20 e as ferramentas antigas continuarão funcionando” — só sem recursos novos nem atualizações de segurança.
O PICkit 4 está no meio-termo. Pelas notas da v6.35, desde 1º de setembro de 2023 ele não recebe suporte a chips novos: funciona na versão atual para o que já gravava, mas PIC lançado depois pode não aparecer.

Como instalar, sistema por sistema
Windows 10 e 11
- Baixe o instalador certo para o seu gravador (tabela acima) e confira o SHA-256.
- Execute como administrador. Marque MPLAB IPE (e o IDE, se for programar) e só as famílias de chip que você usa — a instalação completa pede cerca de 10 GB.
- Quando o Windows perguntar sobre software de driver USB, confirme todas as janelas, como pedem as notas de versão.
- Só então conecte o PICkit. No PICkit 4, o driver é atualizado automaticamente ao conectar.
Linux
Pelas instruções oficiais: extraia com tar -xf MPLABX-v6.35-linux-installer.tar e rode sudo ./MPLABX-v6.35-linux-installer.sh — o instalador precisa de root.
macOS
Monte o .dmg com duplo clique e rode o instalador de dentro; ele pede a senha de administrador.
A ligação: seis pinos e 30 mA
O conector do PICkit 3 tem seis pinos em linha, com o pino 1 marcado pelo triângulo. Pelo manual do PICkit 3 (DS51795B):
| Pino | Sinal no microcontrolador |
|---|---|
| 1 | MCLR/VPP |
| 2 | VDD |
| 3 | GND |
| 4 | PGD (ICSPDAT) |
| 5 | PGC (ICSPCLK) |
| 6 | PGM (LVP) |
Três regras do mesmo manual evitam metade das dores de cabeça. Primeira: o gravador precisa enxergar tensão no pino 2 — “se o depurador não detectar tensão na linha VDD, ele não vai operar”. Segunda: o PICkit 3 alimenta o alvo com no máximo 30 mA; o caminho recomendado é a placa ter alimentação própria. Terceira: nada de capacitor no MCLR nem resistor de pull-up no PGC/PGD (o gravador já tem pull-down de 4,7 kΩ nessas linhas); no MCLR basta um pull-up de 4,7 a 10 kΩ para o VDD. Para conferir a tensão, um multímetro no pino 2 resolve em segundos.
Gravando um .hex no MPLAB IPE, passo a passo
- Abra o IPE. Em Family e Device, escolha o chip exato (o nome impresso no encapsulamento) e clique em Apply.
- Conecte o gravador à placa e alimente a placa.
- Em Tool, selecione o PICkit e clique em Connect. A janela Output mostra a conexão e os erros.
- No campo Hex File, clique em Browse e carregue o arquivo .hex.
- Clique em Program e, depois, em Verify.
Se precisar que o gravador alimente a placa, as opções de tensão ficam no modo avançado: menu Settings > Advanced Mode, senha padrão microchip (o manual avisa que diferencia maiúsculas), item Power, caixa Power target circuit from.
Não se assuste se o PICkit 3 baixar firmware na primeira conexão: ele troca de firmware conforme a família do chip, como mostra o log de um tópico do fórum da DigiKey de julho de 2019 (firmware dsPIC33F/24F/24H trocado pelo PIC18F).
Os cinco problemas mais comuns (e a correção)
1. O PICkit 3 não aparece na lista de ferramentas. Quase sempre é versão do MPLAB. Num tópico do Electro-Tech-Online de 5 de julho de 2023, dois PICkit 3 funcionavam num PC e sumiam no outro; a resposta que resolveu foi “se for a v6.10, esse é o problema” — o autor instalou uma versão anterior e o gravador apareceu. Hoje a regra é da Microchip: PICkit 3 exige a v6.20 ou anterior.
2. “Target device was not found (could not detect target voltage VDD)”. É o erro do tópico da DigiKey de 2019: o gravador não detecta tensão no pino 2. Ou a placa não está alimentada, ou o VDD não está ligado ao gravador, ou você esperava que o PICkit alimentasse a placa sem marcar a opção. A pergunta que destravou o caso foi direta: “como você está alimentando o alvo — pelo PICkit ou externamente?”
3. O PICkit 3 aparece acinzentado para um chip novo. Num tópico do All About Circuits de abril de 2024, o PICkit 3 gravava um PIC16F1828, mas ficava cinza para o PIC16F15256 nas versões 6.00, 6.15 e 6.20. Não era configuração: o chip, lançado depois, nunca foi suportado pelo PICkit 3. Confira na lista de suporte de dispositivos da Microchip antes de insistir.
4. “Target Device ID (0x0)” ou falha de conexão com o chip. Com gravador reconhecido e tensão presente, a suspeita passa para o circuito em volta: capacitor no MCLR, pull-up ou capacitor em PGC/PGD, placa puxando mais de 30 mA do gravador ou cabo longo improvisado — todos itens da lista de verificação do manual do PICkit 3.
5. O PICkit 4 não é reconhecido ou está sem luz. O manual do PICkit 4 traz dois remédios. Primeiro, o modo bootload: segure pressionado o logotipo enquanto conecta o USB, até a faixa de luz ficar roxa fixa, e conecte pelo MPLAB, que regrava o firmware. Sem nenhum LED aceso, use Debug > Hardware Tool Emergency Boot Firmware Recovery no MPLAB X.
A parte que ninguém conta
As notas do MPLAB IPE v6.35 ainda listam o PICkit 3 entre as ferramentas compatíveis — é texto antigo que ninguém atualizou. A declaração que vale é a da página do MPLAB X e do blog oficial: a última versão com suporte é a v6.20. Quem baixa a mais nova confiando nessa lista perde uma tarde.
O outro ponto é o investimento. PICkit 3 na v6.20 atende bem chips antigos e regravação de firmware, que é o dia a dia do reparo — mas não ganha chip novo, e o PICkit 4 também parou em 2023. Para comprar hoje, o gravador com suporte ativo é o PICkit 5. Registro de honestidade: não temos relação comercial com a Microchip.
Precisa de um gravador PIC?
As duas opções que cobrem os cenários deste guia:
Como Associados da Amazon, recebemos por compras qualificadas feitas pelos links acima — você não paga nada a mais por isso, e ajuda o site a continuar gratuito.
Perguntas frequentes
Preciso instalar o MPLAB X inteiro só para gravar um .hex? Não. No instalador, deixe marcado apenas o MPLAB IPE. O manual do IPE confirma que ele funciona sem o IDE instalado.
Qual é a senha do modo avançado do MPLAB IPE? A padrão é microchip, em minúsculas. Se alguém a trocou, o IPE recupera pela pergunta de segurança.
Posso ter a v6.20 e a v6.35 instaladas no mesmo computador? Sim. Cada versão instala em uma pasta própria com o número dela (no Windows, C:Program FilesMicrochipMPLABXv6.20), e a Microchip mantém as versões antigas no arquivo de downloads justamente para quem usa ferramentas antigas.
O PICkit 3 grava memória 24C ou 25Q de placa-mãe e TV? Não é o instrumento certo — para isso existe o CH341A.
Conclusão
Três regras resolvem a maior parte dos chamados: PICkit 3 fica na v6.20, PICkit 4 e 5 vão na versão atual; sem tensão no pino 2, o gravador não opera; e chip acinzentado é falta de suporte, não configuração errada.
No próximo guia vamos para o ESP32: o esptool.py passo a passo, a ferramenta que grava ESP32 e ESP8266 em qualquer sistema.
Veja também
- ST-Link V2: driver oficial e STM32CubeProgrammer — o equivalente do PICkit do lado dos STM32.
- XGecu T48: guia completo do software Xgpro — para gravar chips fora da placa, em soquete.
- Clock, reset e enable: os sinais que acordam a placa — por que o MCLR é tão sensível a capacitor.
Se o seu interesse não é só gravar o chip, mas entender o que existe em volta dele numa placa desconhecida, o Mapa da Placa é o nosso material de leitura de placa — vale conhecer se você repara equipamento e quer parar de trocar peça no escuro.
